“O que você faz se você descobre que seu irmão é um viado?” é uma das perguntas que fazem parte da comunidade “Eu odeio viados”, que existia no Orkut até um tempo atrás, e possuia mais de mil membros associados. As respostas eram assustadoras e ofensivas. “Eu acho que eu mando matar” foi a frase escrita por João Fenômeno. Agora, pensemos bem: se ele mandaria executar o próprio irmão, o que ele não faria com o vizinho gay? Ao invés de apoiar o irmão ou conversar com ele, muitos o levariam a bordéis com a intenção de “curá-lo”. Existem até receitas e conselhos para os pais de homossexuais. “O pai deve levar o filho para jogar bola e não deixá-lo brincar com meninas. Só assim ele pode voltar a ser homem”, comenta um internauta.
Homofobia é o termo mais adequado para denominar a prática de violência e crime contra os homossexuais. Os casos de homofobia relatados no orkut são histórias que chocam e estereotipam os gays como sendo devassos, pervertidos e imorais. Existem incontáveis comunidades como esta no orkut, que incentivam atos violentos e propagam o ódio contra os homossexuais. Algumas são eliminadas pelo Google, que é o proprietário do orkut. Este, no entanto, não é um procedimento comum e demanda mandatos judiciais.
O mais interessante são os textos de justificativa, na abertura das comunidades. Muitos são falsos e divulgam teorias ultrapassadas, além de preconceituosas. Em “O Homossexualismo é uma doença”, o responsável por ela afirma que pessoas que se relacionam com outras do mesmo sexo são portadores de uma patologia. Ledo engano! Desde 1973, a Associação Psiquiátrica Americana retirou o homossexualidade da lista de distúrbios mentais. Foi, então, quando o termo passou de homossexualismo para homossexualidade – porque o sufixo “ismo” denota doença. Mesmo sem uma explicação científica para a origem da homoafetividade, muitos internautas leigos insistem em debater a questão à sua maneira. E, surpreendentemente, grande parte prefere esconder a identidade.
As principais comunidades heterossexistas foram criadas no Brasil. O que não é surpresa em um país líder mundial de violência contra os gays. Os homossexuais são vítimas em todas os segmentos sociais: dentro de casa, na rua, na escola, na igreja, no trabalho e na mídia. São taxados de pecadores, na maioria das vezes, acusados de fazerem sexo só por prazer. Sendo que, também, o fazem com amor e carinho.
Se infiltrar na web e extravasar todo o ódio guardado contra tais práticas é a saída encontrada por muitos associados do orkut. Por isso, o sucesso das comunidades racistas e preconceituosas. Algumas, como “Os homossexuais comem criancinhas”, associam homossexualidade e pedofilia, tornando os termos praticamente sinônimos. Outras questionam a índole de personalidades como Leão Lobo e Clodovil, simplesmente por terem assumido publicamente sua orientação sexual. A comunidade eu odeio o “Jean do BB5”, com mais de cinco mil participantes, critica o vencedor do reality show por ter se declarado gay durante a exibição do programa. Um gesto de coragem que causa inveja a qualquer homossexual enrustido. O humor também é outra vertente da homofobia no orkut.
Comunidades como “Sem camisa no orkut = viado” ou “Zagallo é viado” atraem milhares de pessoas em busca de boas risadas fundamentadas na ridicularização de pessoas. O que mais chama a atenção é que existem pessoas que passam horas se dedicando a essas práticas ofensivas na internet. Como se isso as fizesse sentir melhor, mais confortáveis. Um sentimento de repúdio que não tem explicação racional. Talvez, porque ela esteja escondida nos desejos mais íntimos e reprimidos do homofóbico.
http://blogs.abril.com.br/foradoarmario/2009/02/preconceito-virtual.html
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terça-feira, 12 de maio de 2009
domingo, 19 de abril de 2009
AFEMINADO? TÔ FORA
O texto abaixo foi retirado do livro Mensagens para Gays e Simpatizantes do Moa Sipriano (www.moasipriano.com). Tomei a liberdade de postalo é bem interessante e descreve o cotidiano e situações muitas vezes vividas, principalmente na net... Boa Leitura!
"Afeminado? Tô fora
“Não sou afeminado. Nem curto... Não gosto de afeminado para relacionamento, pois eu não sou. Para amizade... tudo bem... blá... blá... blá...”
Aqui estão algumas das famosas frases anunciadas nas mensagens de sites de encontros. Vemos as mesmas frases pipocarem na tela das salas de bate-papo.
Contarei uma breve historinha real: Era uma tarde de tédio mortal. Eu estava teclando no chat do Terra. Minutos depois que entrei, um sujeito puxou papo. Ao ver o meu nick escalafobético (peludíssimo_sp), foi logo perguntando:
“Você é afeminado?”. Minha resposta: “Não. Eu não sou.” Percebi que a conversa prometia.
“Puxa, que bom”, ele disse, “pois eu não curto cara afeminado.” Nossa conversa engatou. Ele era médico e morava em São Paulo. Disse que era bem sucedido, lindão, experiente, bem vivido (é engraçado como todos são perfeitos atrás de um monitor!) e... solitário.
Apresentei meu currículo padrão. Trocamos nossas afinidades triviais (gostávamos de cinema, teatro, caminhadas, cachorros, viagens e leitura).
Após vinte minutos de conversa, houve troca de números de telefones e de fotos por email.
Pela foto ele aparentava ser simpático. “Lindão” era um pouco demais. Saímos do chat. Conversamos ao telefone. A voz imposta do médico era de derreter corações. Um misto de Francisco Cuoco (voz) com Reinaldo Gianechini (sensibilidade). Fiquei de peepo duro na hora! Combinamos um encontro no Conjunto Nacional, localizado na av. Paulista, em SP, para dali a dois dias. Eu estaria na capital à trabalho e assim uniria o útil ao (des)agradável encontro - você irá entender os motivos mais adiante!
Na data, local e hora combinada eu esperava o possível novo amigo. Ele chegou três minutos atrasado. Estava elegante e muito bem vestido, mas os litros de Azzaro que ele derramou no corpo todo sufocaram um pouco meus neurônios nos primeiros cinco minutos de conversa. Passeamos pelo local, depois fomos almoçar num restaurante próximo. Notei que ele se esforçava demais em parecer “masculino”. Todos os movimentos eram previamente estudados. Todas as palavras que saíam de sua boca eram frases feitas. Bem
diferente do sujeito que eu havia teclado dias atrás. Percebi que não passaríamos de possíveis amigos, já que não houve de imediato uma química
sensual (não confunda com “desejo de trepar”) pelo menos de minha parte. Nossos mundos eram muito diferentes.
Não haveria equilíbrio, pois ele não estava disposto a mudar um milímetro sequer de sua existência em benefício do nosso possível relacionamento. Eu é que teria que me adaptar ao seu modo de vida. Submissão gratuita... jamais!
Na hora do cafezinho o médico entregou o ouro. A maneira com que ele colocou o adoçante na xícara, misturou o café com a colherinha e o sorveu logo em seguida, com dedinho em pé e tudo mais era digno de figurar numa cena da Gaiola das Loucas! Logo em seguida, ao chamar o garçom para acertarmos a conta, vi bem na minha frente o bracinho esticado, o dedinho indicador para cima e a voz em falsete tentando chamar a atenção de um rapaz franzino. Uma cena triste e hilariante ao mesmo tempo. Para terminar, nas duas horas em que estivemos juntos, o sujeito perguntou-me 737 mil vezes se eu não era “afeminado”!!! Pôxa, ele estava do meu lado. Será que não dava para perceber como eu me comportava?
O seu medo em “dar bandeira” era tanto, que bastou pouco tempo para eu perceber o motivo de sua solidão. Não dava para ter uma vida social com aquele sujeito. Acompanhei meu médico “lindão” até seu carro, um Audi prata (esse sim... lindérrimo!). Eu não era o companheiro indicado, pensei. Acredito que ficaríamos eternamente presos em seu suntuoso apartamento nos Jardins (palavras dele), vendo filmes em DVD em sua sala de home teatro (também palavras dele) pelo resto de nossas vidas!
Moral da história: muitas vezes ao não aceitarmos nossos próprios limites e defeitos, projetamos nos outros aquilo que repudiamos em nós mesmos. Dizemos: “não, não e não” para as coisas que acreditamos não possuir dentro de nós e crucificamos o próximo, apontando a todo momento os defeitos alheios.
Somos preconceituosos e isso é um fato. No íntimo, em algumas situações, invejamos aqueles que vivem sua sexualidade naturalmente e não somos humildes o suficiente para utilizar a experiência e a vivência dessas pessoas em benefício próprio. Temos medo da liberdade!
Ser “afeminado” é muito diferente de ser “afetado”. A primeira opção pode ser uma característica natural e “normal” em qualquer ser humano. Conheço homens que são um poço de sensibilidade e carinho e isso não afeta em nada suas virilidades.A segunda opção é algo que algumas pessoas criam para si mesmas. Fazem questão de expor ao mundo um certo sensacionalismo próprio, desejando a todo custo chamar a atenção conscientemente, usando muitas vezes o já batido e infeliz estereótipo típico do viado, da bicha louca.
Esses seres acreditam que isso serve como defesa perante a sociedade. Um comportamento do tipo: “já que sou gay mesmo... deixa eu esculhambar!”
Pare e reflita. Para que gastar tanta energia em ficar se policiando, sendo que se você aproveitasse essa mesma energia para coisas mais dignas e úteis em sua vida a satisfação e realização pessoal seriam algo indescritível!
Aprenda a viver plenamente e a “neurotizar” menos o seu comportamento. Delicado, efeminado, troglodita... não importa. Respeite os limites dos outros e mostre a eles o caminho para que respeitem a sua maneira de ser e de viver. Tudo é muito simples. Basta, novamente, dar o primeiro passo. E isso somente você será capaz de fazer.
* * *
IMPORTANTE: A palavra “afeminado” foi grafada erroneamente de propósito, pois é assim que muitos ainda falam ou escrevem nos sites, chats e e-mails da vida... afeminado = efeminado."
"Afeminado? Tô fora
“Não sou afeminado. Nem curto... Não gosto de afeminado para relacionamento, pois eu não sou. Para amizade... tudo bem... blá... blá... blá...”
Aqui estão algumas das famosas frases anunciadas nas mensagens de sites de encontros. Vemos as mesmas frases pipocarem na tela das salas de bate-papo.
Contarei uma breve historinha real: Era uma tarde de tédio mortal. Eu estava teclando no chat do Terra. Minutos depois que entrei, um sujeito puxou papo. Ao ver o meu nick escalafobético (peludíssimo_sp), foi logo perguntando:
“Você é afeminado?”. Minha resposta: “Não. Eu não sou.” Percebi que a conversa prometia.
“Puxa, que bom”, ele disse, “pois eu não curto cara afeminado.” Nossa conversa engatou. Ele era médico e morava em São Paulo. Disse que era bem sucedido, lindão, experiente, bem vivido (é engraçado como todos são perfeitos atrás de um monitor!) e... solitário.
Apresentei meu currículo padrão. Trocamos nossas afinidades triviais (gostávamos de cinema, teatro, caminhadas, cachorros, viagens e leitura).
Após vinte minutos de conversa, houve troca de números de telefones e de fotos por email.
Pela foto ele aparentava ser simpático. “Lindão” era um pouco demais. Saímos do chat. Conversamos ao telefone. A voz imposta do médico era de derreter corações. Um misto de Francisco Cuoco (voz) com Reinaldo Gianechini (sensibilidade). Fiquei de peepo duro na hora! Combinamos um encontro no Conjunto Nacional, localizado na av. Paulista, em SP, para dali a dois dias. Eu estaria na capital à trabalho e assim uniria o útil ao (des)agradável encontro - você irá entender os motivos mais adiante!
Na data, local e hora combinada eu esperava o possível novo amigo. Ele chegou três minutos atrasado. Estava elegante e muito bem vestido, mas os litros de Azzaro que ele derramou no corpo todo sufocaram um pouco meus neurônios nos primeiros cinco minutos de conversa. Passeamos pelo local, depois fomos almoçar num restaurante próximo. Notei que ele se esforçava demais em parecer “masculino”. Todos os movimentos eram previamente estudados. Todas as palavras que saíam de sua boca eram frases feitas. Bem
diferente do sujeito que eu havia teclado dias atrás. Percebi que não passaríamos de possíveis amigos, já que não houve de imediato uma química
sensual (não confunda com “desejo de trepar”) pelo menos de minha parte. Nossos mundos eram muito diferentes.
Não haveria equilíbrio, pois ele não estava disposto a mudar um milímetro sequer de sua existência em benefício do nosso possível relacionamento. Eu é que teria que me adaptar ao seu modo de vida. Submissão gratuita... jamais!
Na hora do cafezinho o médico entregou o ouro. A maneira com que ele colocou o adoçante na xícara, misturou o café com a colherinha e o sorveu logo em seguida, com dedinho em pé e tudo mais era digno de figurar numa cena da Gaiola das Loucas! Logo em seguida, ao chamar o garçom para acertarmos a conta, vi bem na minha frente o bracinho esticado, o dedinho indicador para cima e a voz em falsete tentando chamar a atenção de um rapaz franzino. Uma cena triste e hilariante ao mesmo tempo. Para terminar, nas duas horas em que estivemos juntos, o sujeito perguntou-me 737 mil vezes se eu não era “afeminado”!!! Pôxa, ele estava do meu lado. Será que não dava para perceber como eu me comportava?
O seu medo em “dar bandeira” era tanto, que bastou pouco tempo para eu perceber o motivo de sua solidão. Não dava para ter uma vida social com aquele sujeito. Acompanhei meu médico “lindão” até seu carro, um Audi prata (esse sim... lindérrimo!). Eu não era o companheiro indicado, pensei. Acredito que ficaríamos eternamente presos em seu suntuoso apartamento nos Jardins (palavras dele), vendo filmes em DVD em sua sala de home teatro (também palavras dele) pelo resto de nossas vidas!
Moral da história: muitas vezes ao não aceitarmos nossos próprios limites e defeitos, projetamos nos outros aquilo que repudiamos em nós mesmos. Dizemos: “não, não e não” para as coisas que acreditamos não possuir dentro de nós e crucificamos o próximo, apontando a todo momento os defeitos alheios.
Somos preconceituosos e isso é um fato. No íntimo, em algumas situações, invejamos aqueles que vivem sua sexualidade naturalmente e não somos humildes o suficiente para utilizar a experiência e a vivência dessas pessoas em benefício próprio. Temos medo da liberdade!
Ser “afeminado” é muito diferente de ser “afetado”. A primeira opção pode ser uma característica natural e “normal” em qualquer ser humano. Conheço homens que são um poço de sensibilidade e carinho e isso não afeta em nada suas virilidades.A segunda opção é algo que algumas pessoas criam para si mesmas. Fazem questão de expor ao mundo um certo sensacionalismo próprio, desejando a todo custo chamar a atenção conscientemente, usando muitas vezes o já batido e infeliz estereótipo típico do viado, da bicha louca.
Esses seres acreditam que isso serve como defesa perante a sociedade. Um comportamento do tipo: “já que sou gay mesmo... deixa eu esculhambar!”
Pare e reflita. Para que gastar tanta energia em ficar se policiando, sendo que se você aproveitasse essa mesma energia para coisas mais dignas e úteis em sua vida a satisfação e realização pessoal seriam algo indescritível!
Aprenda a viver plenamente e a “neurotizar” menos o seu comportamento. Delicado, efeminado, troglodita... não importa. Respeite os limites dos outros e mostre a eles o caminho para que respeitem a sua maneira de ser e de viver. Tudo é muito simples. Basta, novamente, dar o primeiro passo. E isso somente você será capaz de fazer.
* * *
IMPORTANTE: A palavra “afeminado” foi grafada erroneamente de propósito, pois é assim que muitos ainda falam ou escrevem nos sites, chats e e-mails da vida... afeminado = efeminado."
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